Bem nem tudo que podemos e temos direito de ter, conseguimos ter em nossas mãos, e o que realmente é valioso para cada um de nós é indiferente para outros. Opinar na vida de outras pessoas passou a ser um meio de “lazer” para aquelas que mesmo tendo condições de ajudar realmente não o faz, apenas decide apontar e dizer como fazer. Eu passei por uma situação dessas e percebi o quanto mesquinhas são as pessoas.
Sabe para você que esta lendo nesse momento deve imaginar onde eu quero chegar ou se falei demais, mas, não é isso, eu apenas divido aqui um momento pessoal que estou passando. Há exatamente um ano descobri que minha mãe Maria Célia (mas, que gosta de ser chamada de “Célia”) estava com câncer, um bem agressivo ( Linfoma) onde tomou boa parte de uma de suas nádegas criando uma ferida de mais ao menos da largura de um pires e de uma profundidade da própria xícara. Mas, vejam bem... Isso é o que os Médicos descobriram, pois quando eu fui até seu apartamento em uma visita dessas de filho para mãe, percebi minha mãe praticamente com dificuldades de locomover-se, pedi a ela que deitasse e levantasse a saia, minha mãe, por teimosia e por vergonha não queria tirara a saia continuei insistindo e finalmente consegui convencê-la a levantar a saia. O que vi foi um ferimento bem pequeno em torno dele a pele estava totalmente escura.
No terceiro dia eu havia decidido a mudar-se temporamente para seu apartamento e cuidar melhor dela, mais ao menos por volta das 20hs ao lhe dar um pouco de chá com biscoito doce, conversamos um pouco e logo depois pedi para minha mãe deitar de bruços, pois eu precisava fazer o curativo e manter o local limpo. Ao começar a tirar o curativo tive uma dessas surpresas de enlouquecer qualquer filho único, seu ferimento estava tomado de “vermes”(memiase), levantei peguei uma pinça de sobrancelhas e com um copo cheio de álcool comecei a tirar um por um.
Diante da situação procuramos, como já havia mantido contato com Médicos priorizei mais ainda o atendimento hospitalar com urgência. Fui com minha mãe a UPA e lá apenas passaram remédio para dor e para sua pressão, pois estava naquele momento 180X80. Voltamos para casa e assim que coloquei minha mãe na cama fui ao telefone onde eu poderia entrar em contato com amigos e agilizar mais ainda.
No no dia seguinte por volta das 10hs da manhã, tiver um retorno de todos os pedidos de ajuda que pude fazer que um Médico especializado pudesse atender minha mãe, e que eu estivesse com ela por volta das 8hs do dia anterior, em Curicica. Saímos bem cedo e com aquela dificuldade para locomover-se, pois a dificuldade de sentar era muito grande e sacrificante para minha mãe. Chegando ao local foi atendida pelo Médico que agradeço muito de coração e o mesmo havia indicado minha mãe para o INCA, pois a ferida estava do aspecto de uma couve flor.
Diante da situação, e superando muita dificuldade inclusive financeira conseguimos quatro dias depois dar entrada no INCA (na unidade que fica atrás da rodoviária Novo Rio), foi colhido biópsia, foi feito todos os exames de sangue e fomos remarcados para futuro exames. Só que ainda não tínhamos resolvido a questão da dor, minha mãe estava sentindo dor 24hs sem parar e praticamente sem dormir e sofrendo. Quando retornamos para o INCA (Rodoviário Novo Rio) fomos recebidos por um Médico ao qual agradeço de coração que encaminhou minha mãe para o INCA (localizado no Centro, em frente à Praça da Cruz Vermelha).
No primeiro dia que entrei no INCA (em frente à Praça Cruz Vermelha) fomos encaminhados para os dois andar e lá aguardamos ser atendidos, quando chegou à vez de minha mãe em 30 minutos de pedidos de exames e avaliação física e psicológica a Médica decidiu internar minha mãe, por estar muito debilitada e visivelmente com uma dor insuportável. Foram mais de 35 dias internada no INCA revezando com minha esposa e familiares, mas, querendo fazer boa parte dos plantões acompanhando minha mãe, eu praticamente fiquei internado junto com ela, muitos exames, muitas pesquisas e poucas certezas. Entrava no quarto onde minha mãe estava internada no isolamento dos oito andar e sempre tinha uma esperança muito grande de que tudo aquilo seria uma passagem ruim que às vezes acontece em nossas vidas e com isso convivi com a expectativa de ao entrar os Médicos que estavam acompanhando minha mãe viessem com alguma noticia boa, esperançosa. Uma semana antes de ter alta, minha mãe realizou quimioterapia onde respondeu muito bem, e foi assistida por uma pessoa muito especial que cuidou pessoalmente do curativo de minha mãe, pela qual também agradeço de coração e aos Médicos que a acompanharam.
Quando minha mãe saiu de alta, foi um acontecimento tão maravilhoso em minha vida que senti um alívio diante do peso que entrei no momento da internação e olhar aquele hospital ficando para trás e com minha mãe ao meu lado na ambulância realmente não tenho como descrever, a agradecer muito a Deus.
Hoje minha mãe mora comigo, pois jamais a deixaria sozinha naquele apartamento frio, aqui em casa existem seis pessoas e com minha mãe tornamos sete, meus filhos tem as duas avós morando no mesmo teto e eu sempre digo a eles estão diante de um momento único e verdadeiro da história de nossa família, pois vão poder relatar o quanto foi bom ter ajudado e convivido com as duas avós, para seus filhos. Nesse momento minha mãe dorme, pois as medicações continuam sendo administradas. Diante disso tudo ainda tenho que lhe dar com pessoas que só sabem fazer uma coisa... opinar, opinar e opinar, mais nada. Mas, tudo bem diante disso tudo tenho que entender que são pessoas pequenas e que merecem ter a oportunidade de crescerem.
Bem pessoal dividi com vocês um pouco do meu momento crítico e divido com vocês as coisas do meu quintal... Um forte abraço no coração de todos e por favor, cuidem de seus entes querido pois o que deixamos de valor para nossos filhos e netos não é dinheiro, mas, um verdadeiro compromisso de cuidar bem das pessoas que realmente amamos. Agradeço a Deus pelos milagres diários e pela certeza de minha fé.
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